Jumentos que iam para abate são achados mortos em estrada na Bahia

31 de outubro de 2018, 16:27

Fazenda próxima tinha mais de 330 animais confinados sem água e comida

Nove jumentos que, segundo a Polícia Civil, iam para o abate em um frigorífico de Itapetinga, no Sudoeste do estado, foram encontrados mortos nesta terça-feira (30) em uma estrada vicinal na cidade vizinha de Itororó.

O delegado titular de Itororó, Frank Nogueira, informou que os jumentos mortos estavam em um caminhão que saiu há quatro dias de Pernambuco pegando pequenas quantidades de animais pelos locais por onde passavam.

Os animais, que não tinham guia de trânsito animal (GTA) para o transporte, estavam sendo levados primeiro para uma fazenda em Itapetinga e de lá sendo encaminhados para o Frigorífico Sudoeste, onde os abates de jumentos ocorrem desde agosto.

O motorista do caminhão Fabian Cleber Silva Bahia, 44 anos, disse, segundo o delegado, que saía recolhendo os animais onde eles estivessem e que não tinha contato prévio.

“Ele saía catando mesmo por aí e botava no caminhão”, explicou.

A polícia chegou até o caminhoneiro após um popular vê-lo jogando os jumentos mortos na beira da estrada – há animais adultos e filhotes. “O caminhoneiro responderá por maus-tratos”, afirmou o delegado.

Sem água e comida

Na fazenda para onde os jumentos estavam sendo levados, a polícia encontrou mais 330 bichos, os quais também não tinham guias de trânsito. Chegaram à fazenda na mesma situação que os demais e estavam presos em um curral, sem comida ou água.

Curral com quase 400 animais sem água e comida (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A polícia informou que fiscais da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) soltaram os animais na fazenda para que eles possam se alimentar, e que o local foi interditado para que não recebesse mais jumentos.

Houve ainda, segundo a polícia, aplicação de multas por parte da Adab, com quem o CORREIO não conseguiu contato. O chinês Xu Zhijini, 24, e um adolescente de 17 anos também foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos.

Segundo a polícia, o chinês era responsável por selecionar na fazenda os animais que seriam abatidos, e o adolescente dirigia um caminhão menor que transportava os jumentos até o Frigorífico Sudoeste.

“Por enquanto, o chinês e o adolescente não têm relação com os maus-tratos aos animais, mas estamos investigando mais a situação”, contou o delegado, que vai encaminhar o caso para o Ministério Público (MP-BA).

Diretor do Frigorífico Sudoeste, José Marcos Ribeiro Costa disse que tem comprado animais para abater, “todos com guias de trânsito”, e depois vende para a empresa chinesa Cuifeng Lin, que por sua vez comercializa a carne e o couro para o Vietnã.

Parte da carne também é exportada para a China, onde a demanda maior é pelo couro, muito procurado pela indústria farmacêutica chinesa por, supostamente, possuir uma substância que seria afrodisíaca.

Outras mortes
Entre o final de agosto e início de setembro, um caso de maus-tratos na fazenda Barra da Nega, em Itapetinga, resultou na morte por fome e sede de centenas de jumentos.

Segundo o MP-BA, “relatórios da Secretaria Municipal de Meio Ambiente apontam que foram encontrados nos currais superlotados 750 animais vivos, debilitados, sem água e alimentação, com fêmeas em procedimento abortivo”, além dos já mortos.

Os animais estavam sob os cuidados da Cuifeng Lin, que foi multada pela Adab e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente em mais de R$ 30 mil por maus-tratos, por realizar transporte ilegal e não ter autorização para confinamento dos bichos.

Em 21 de setembro, a pedido do MP-BA, a Vara da Fazenda Pública de Itapetinga determinou ao Frigorífico Sudoeste e a empresa Cuifeng Li a proibição de transportar e confinar jumentos acima da capacidade de abate do frigorífico – 60 animais por hora.

Foi determinado ainda que o frigorífico não receba animais sem GTA. “Estamos seguindo à risca as regras. Alguma ação fora desse eixo não tem como administrar”, falou o diretor do frigorífico, José Marcos Ribeiro Costa. “Não faço ideia de onde estão vindo os animais, não chega pra gente essa informação”.

Correio

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