Rui diz que “não vai puxar fila” pelo do impeachment de Bolsonaro

21 de maio de 2019, 13:17

 

 

O petista baiano disse que é contra “dar o troco” nos apoiadores do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT)

Por Rodrigo Daniel Silva

O governador Rui Costa (PT) disse, ontem, que “não vai puxar a fila” a favor de um eventual pedido impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O petista baiano disse que é contra “dar o troco” nos apoiadores do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Eu não quero opinar sobre isto. Ele foi um presidente eleito. É preciso que as coisas comecem a funcionar no nosso Brasil. Não vou ser eu a puxar a fila e fazer o que fizeram com a presidente Dilma. Eu não acredito nisto. Agora, acho que o país precisa ter um rumo. Não dá para ficar nesta situação. Estamos no quinto mês e não há nenhuma proposta em debate além da reforma da Previdência. Não se discute mais nada. Como o Brasil vai retomar a confiança do mercado internacional? Como vai fazer o país crescer? Como vai incentivar a produção? O governo federal vai apoiar as obras de infraestrutura? É preciso sentar de forma serena e discutir”, afirmou.

Rui Costa confirmou presença na primeira viagem oficial de Jair Bolsonaro ao Nordeste, para entregar casas populares e anunciar mais verbas para obras de infraestrutura. É nessa região que o presidente registra as piores avaliações – para 40% dos nordestinos, o governo é ruim ou péssimo, conforme o Ibope. O roteiro que será todo no estado do Pernambuco e tomará a sexta-feira de Bolsonaro. “Estarei presente. Acho importante que o presidente da República esteja vindo ao Nordeste para ouvir os pleitos dos governadores e ouvir a situação do Nordeste. E todas as vezes que for chamado, eu estarei presente seja aqui no Nordeste ou em qualquer lugar do Brasil. Não estive da última vez porque estava no exterior”, afirmou.

O chefe do Palácio de Ondina voltou a defender que pontos sejam retirados da reforma da Previdência, como a proposta de criar a capitalização, as mudanças na aposentadoria rural e no Benefício da Prestação Continuada (BPC). “A proposta de capitalização vai aumentar o rombo das contas públicas dos estados e do governo federal no curto e meio prazo. Isso vai provocar um rombo gigantesco nas contas públicas. Ela não vai trazer alívio aos caixas dos estados pelo governo federal no curto e médio prazo caso seja aprovada. É preciso retirar a proposta de capitalização para se fazer alterações que são necessárias e que não podem alcançar as pessoas mais pobres”, disse, ao salientar que enquanto estiver no texto a capitalização não irá apoiar a reforma.

O governador também reiterou críticas aos cortes no orçamento das universidades federais. “Eu acho uma aberração o que está sendo feito. Acho que precisaria de um debate sério, de um debate transparente. Se mudanças precisam ser feitas em várias áreas, elas têm que ser feitas de maneira a preservar as nossas instituições, a nossa educação. Nenhum país vai a lugar nenhum sem educação. É uma temeridade. Eu fico perplexo o que está sendo feito com o nosso país. É uma incerteza absoluta. A sensação que tenho, às vezes, é de que o país está à deriva, sem saber para onde vai, sem saber o que fazer e com informações desencontradas. Realmente é muito preocupante o rumo do nosso país”, pontuou.

Governador quer discutir cobrança em universidades públicas
O governador Rui Costa (PT) defendeu, ontem, discutir cobrança de mensalidade em universidades públicas. “Uma família que pagou educação privada a vida inteira não tem condições de contribuir com a universidade? Qual o problema disso?”, indagou o petista. “Quem é contra (cobrança de mensalidade) não é contra que o rico pague. Mas tem um discurso de que seria o início de uma privatização, que o passo seguinte seria cobrar de todo mundo. Não necessariamente é assim”, afirmou, em almoço com a imprensa.
O chefe do Palácio de Ondina voltou a criticar a greve dos professores das quatro universidades estaduais e disse que um partido se “apropriou” da paralisação, ao se referir ao PSOL. Estão com as atividades paralisadas há mais de um mês os docentes da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Os professores pedem reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
“Há uma partidarização da greve. Uma apropriação de um partido político da greve”, declarou. “Não vai ser cardzinho de Facebook ou de internet que vai me alcançar. Às vezes, e eu aprendi isso desde cedo, que a extrema esquerda vai tanto ao extremo que se encontra no método com a extrema direita e se juntam para atuar conjuntamente e evitar que a maioria da população seja beneficiada”, acrescentou.
Presidente do PSOL na Bahia, Fábio Nogueira rebateu. “É inacreditável que um político que se diz de esquerda utilize argumentos tão rasos para desqualificar uma greve legal e legítima. Nós do PSOL apoiamos a greve porque temos coerência, ao contrário do governador Rui Costa”, disse. “O governador Rui Costa desqualifica a greve, a universidade ao invés de sentar e dialogar. A esquerda está nas ruas lutando contra os cortes na educação que também atingem nossas universidades estaduais”, emendou, em postagem na sua rede social.
Tribuna

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